Análise

Quanto tempo os alunos passam na escola?

por EDULOG


17 de agosto de 2018 |

O número de horas que os alunos passam na sala de aula, no ensino básico, difere muito de país para país. Além das lições, de 45 a 50 minutos, o dia de escola conta ainda com os desejados intervalos. Há países que aproveitam a hora do almoço para ensinar sobre alimentação saudável. Outros que entendem que o tempo de intervalo deve ser incluído no total de horas letivas.

Quanto tempo passam na escola os alunos portugueses, comparativamente aos colegas europeus ou da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE)? O período de tempo no qual os professores estão disponíveis para os alunos é um fator importante para determinar o financiamento no setor da educação. A OCDE faz uma comparação exaustiva da carga horária anual registada no ensino básico, nas várias economias e países membros que integram esta organização. Os dados aqui divulgados constam no relatório “Education at a Glance 2017”, publicado há um ano.

No 1.º e no 2.º ciclo passam 834 horas por ano em aulas. No 3.º ciclo, a carga horária sobe para 892. Nos países da OCDE a média é de 800 horas durante o ensino primário (o equivalente ao 1.º e 2.º ciclo em Portugal) e 913 horas no ensino secundário inferior (equivalente ao 3.º ciclo português). Comparando, com a média dos 22 estados-membros da União Europeia, a carga horária é mais leve: 776 e 892 horas, respetivamente.

Olhando, país a país, a carga horária anual de aulas regista muitas diferenças. De um mínimo de 599 horas do 1.º ao 6.º ano e de 794 horas no 7.º, 8.º e 9.º ano na Letónia, para quase o dobro na Austrália e Dinamarca. Os alunos australianos passam 1000 horas por ano em sala de aula. A diferença é que frequentam um ensino primário de sete anos e um secundário inferior de quatro. Entre os países da OCDE, os dinamarqueses são os recordistas. Passam 1051 horas por ano em aulas no ensino primário, que ocorre em sete anos. E 1200 horas anuais no secundário inferior, com a duração de três anos.

Nos sistemas educativos com mais carga horária anual no ensino primário encontram-se ainda o Chile (1046), EUA (970), Holanda (940), Luxemburgo (924), Canadá (920) e Irlanda (910). Figuram entre os países com menos horas aulas, a Polónia (635), Finlândia (651), Estónia (661) Eslovénia (673). Em todos eles o ensino primário é composto por seis anos de escolaridade.

No ensino secundário inferior, a tendência é a carga horária ser maior. Mas não no Luxemburgo, onde os alunos têm mais horas aulas no ensino primário (924, contra 845). Considerando os países em que o ensino secundário inferior (7.º, 8.º e 9.º ano) tem uma duração de três anos, a carga horária anual é maior na Dinamarca (1200), México (1167), Espanha (1054), EUA (1019) e Holanda (1000). De notar, que o Chile (1069) e a Austrália (1000) figuram entre os países com mais carga horária anual, mas têm um ensino secundário inferior com uma duração diferente da maioria dos países: dois e quatro anos, respetivamente.

Ensino obrigatório aos seis anos

De modo geral, os alunos entram na escolaridade obrigatória aos seis anos. Coincidindo com a entrada no ensino primário. Isto acontece na maioria dos países da OCDE. E também em Portugal. Mas há exceções. Os alunos entram mais cedo na Dinamarca e na Holanda onde o pré-escolar é obrigatório. Pelo contrário, na Estónia, Finlândia, Letónia, Lituânia, Polónia, Rússia, Suécia, os alunos não são obrigados a matricular-se no ensino primário antes dos sete anos. Apenas na Austrália, Inglaterra, Nova Zelândia e Escócia, o ensino primário começa aos cinco anos.

Existem também muitas diferenças na duração do ensino primário. Em média dura seis anos. No entanto, pode variar de quatro anos na Áustria, Alemanha,Hungria, Lituânia, Rússia, República Eslovaca e Turquia a sete anos na Austrália, Dinamarca, Islândia, Noruega e Escócia. Já o ensino secundário inferior dura, em média, três anos. Mas pode ir de dois anos, no Chile e nas comunidades flamenga e francesa da Bélgica, a cinco anos na Alemanha, Rússia, República Eslovaca e seis anos na Lituânia.

Três em cada cinco países têm pelo menos um ano do ensino secundário superior (equivalente em Portugal ao 10.º, 11.º e 12.º anos) que faz parte do ensino obrigatório. Em Portugal, a escolaridade obrigatória inclui os três anos.

Aulas e intervalos importam!

Quando estão na sala de aula, exige-se aos alunos que estejam concentrados por longos períodos de tempo. Durante um dia de escola, um aluno do ensino primário passa, em média, menos de quatro horas em aulas. Isto ocorre em dois quintos dos países da OCDE. Mas passam mais de cinco horas, em países como o Canadá, Chile, Dinamarca, França, Luxemburgo e EUA.

No ensino secundário inferior a carga horária é normalmente maior. Com todos os países a terem os alunos envolvidos em pelo menos quatro horas diárias de instrução formal. Cerca de metade a ter entre quatro a cinco horas e com a Colômbia, Dinamarca, Espanha a atingirem as seis horas de aulas por dia.

Se o tempo de aulas é organizado de várias maneiras, entre os países da OCDE, o mesmo se passa com o tempo de intervalo e pausas letivas. Há uma consciência crescente da importância do tempo passado fora da sala de aula. É nos intervalos que os alunos brincam, jogam e interagem com os seus amigos. Estão, de certa forma, a desenvolver outras competências tão ou mais importantes do que as que desenvolvem na sala de aula. Competências emocionais, sociais e cognitivas.

Apesar de constituírem uma parte importante do dia de escola, a organização de intervalos e pausas depende do grau de autonomia da escola. Mas também do modo como os sistemas educativos estão organizados. Na maioria dos países, o dia de aulas está dividido em lições. Tempos letivos que duram entre 45 a 50 minutos. Os intervalos acontecem entre eles e servem, basicamente, para compensar o tempo gasto a mudar de sala de aula ou a ir à casa de banho. Existem também intervalos mais longos que servem para o pequeno-almoço ou almoço.

No ensino primário os intervalos longos são mais comuns. Em Espanha, os alunos têm 30 minutos de intervalo todas as manhãs. Mas esse tempo é considerado como parte das cinco horas diárias de aulas. Em muitos países, a pausa para o almoço é pensada como parte do processo de aprendizagem: os alunos aprendem sobre higiene, hábitos alimentares saudáveis e reciclagem.

Muitos sistemas educativos incluem intervalos longos em todos os níveis de escolaridade. Na Suíça, as escolas organizam dois intervalos de 15 a 30 minutos e uma pausa para o almoço de 60 a 90 minutos. O tempo de descanso, pode ainda servir para outras coisas. Na Dinamarca, os municípios, autoridades locais que dirigem as escolas, geralmente usam os intervalos e as pausas para a prática de atividades de exercício físico, dirigida aos alunos de todos os níveis de ensino. O mesmo acontece na Eslovénia, onde as escolas organizam intervalos longos para os alunos praticarem desporto no ginásio ou nos campos de jogos da escola.

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