Estudos

Maioria dos jovens continua a gostar da escola, diz estudo do CNE

por EDULOG


30 de setembro de 2016 |

Todos os anos o Conselho Nacional de Educação (CNE) publica um extenso relatório com indicadores sobre o sistema educativo português. A mais recente edição do “Estado da Educação 2015” destaca as atitudes dos alunos perante a escola.

Qual é a atitude dos alunos portugueses perante a escola? Como as mudanças nos alunos se refletem na evolução do sistema educativo? Não há respostas claras, nem inequívocas. Certo é que há 15 anos havia mais alunos a dizer que gostavam muito da escola, garante o CNE. A escola perdeu o encanto, sobretudo para o sexo feminino. Portugal foi o país da OCDE onde a percentagem de raparigas com 15 anos que responderam gostar muito da escola mais baixou, entre 1997 e 2014.

Gostas da escola?

Ao longo dos últimos anos, a percentagem de alunos que afirma gostar muito da escola tem diminuído. De modo geral, os alunos do 6.º ano são os que mais frequentemente dizem gostar da escola. No entanto, em 2001/2002 eram 92%, em 2013/2014 baixavam para os 82.3%. Neste ano letivo, os alunos do 8.º ano mostram-se mais insatisfeitos com a escola do que os do 10.º ano.

O “Estado da Educação 2015”, divulgado a 26 de setembro, apoia estas conclusões numa analise dos resultados de estudos internacionais, como o PISA e o “Health Behaviour in School-aged Children” (HBSC). Mas também conjuga os indicadores de projetos nacionais, como o “aQeduto: Avaliação, Qualidade e Equidade na Educação”.

A maioria dos jovens continua a gostar da escola. Apesar do acentuado decréscimo daqueles que referiam gostar muito da escola. Para o CNE este fator “indicia uma mudança de atitude dos adolescentes perante a escola”. Ao contrário do que possa pensar, “uma das consequências dessa mudança não foi o aumento do abandono, cuja taxa, pelo contrário, tem vindo a diminuir em Portugal”, lê-se no relatório.

Menos abandono

De facto, em Portugal a taxa de abandono precoce desceu para 13%, relativamente a 2014. Esta descida tornou possível o cumprimento da meta de 10% para 2020. “Não existe, no quadro dos países da União Europeia, nenhum país que tenha feito, num quarto de século, uma evolução similar à de Portugal”, elogia David Justino, presidente do CNE, na introdução ao relatório. E acrescenta: “Isto significa, para além dos números e das metas, que temos mais jovens no sistema de ensino, durante mais tempo e com maior acesso ao sistema de qualificações.”

Ainda assim, o país tem uma das taxas de retenção escolar mais elevadas da Europa. Cerca de um terço dos alunos com 15 anos chumbou pelo menos uma vez. No ensino secundário 40% nos alunos ficou retido pelo menos um ano, sendo o número médio de retenções superior a dois anos.

Pressão com os trabalhos

Relativamente ao indicador “pressão com os trabalhos da escola”, o inquérito nacional do HBSC de 2014 mostra que mais de 30% dos jovens refere sentir alguma ou muita pressão com os trabalhos da escola.

Relacionando a opinião dos alunos no que toca à “pressão com os trabalhos da escola” e ao “gostar da escola”, percebe-se a correlação. Quem gosta muito da escola sente menos pressão com os trabalhos da escola. Dos que gostam muito da escola 47,1% refere não sentir pressão “nenhuma”. Por outro lado, os alunos que dizem não gostar nada da escola revelam as percentagens mais elevadas quanto ao facto de sentirem muita pressão com os trabalhos da escola (25,0%).

Escolas contrariam insucesso

Nota positiva para a melhoria dos resultados escolares dos alunos mais carenciados. A percentagem de escolas localizadas em meios desfavoráveis, cujos alunos obtiveram resultados acima da média passou de 19% em 2003 para 34% nos testes PISA de 2012. Para o presidente do CNE, o mérito é das escolas: “A elas se deve a capacidade de contrariar os determinismos sociais do desempenho educativo, obtendo resultados bem acima do que a origem social dos seus alunos deixaria estimar”, conclui.

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