Análise

Jovens “nem-nem”: um em cada sete jovens portugueses está fora da escola, fora do mercado de trabalho e, aparentemente, desocupado

por EDULOG


12 de outubro de 2018 |

O que diz o relatório da OCDE sobre os jovens adultos portugueses? A maioria dos jovens entre os 18 e os 24 anos está a estudar (54,4%), 30,4% está empregado e 15,2% não estuda, nem trabalha. Há mais estudantes a ir além do ensino obrigatório. Aumentam as inscrições no ensino superior. Os cursos STEM são dos mais procurados. Portugal é igualmente destino de mais alunos estrangeiros. Apenas o financiamento do ensino superior continua aquém.

Cerca de 15,2% dos jovens portugueses, com idades entre os 18 e os 24 anos, não estudam, nem trabalham. Significa que um em cada sete jovens portugueses está fora da escola, fora do mercado de trabalho e, aparentemente, desocupado. Em 2017, a percentagem dos designados por jovens “nem-nem” colocava Portugal no 10.º lugar de uma lista de 31 países da OCDE, segundo o “Education at a Glance 2018". Quanto aos restantes jovens naquela faixa etária, 54,4% estavam a estudar e 30,4% a trabalhar. Em Portugal, a situação é pior que a registada na OCDE e nos países da União Europeia, onde em média existem, respetivamente, 14,5% e 14,3% jovens “nem-nem”. De acordo com o relatório publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), pela negativa destacam-se a Turquia (31,1%), a Itália (26,6%) e a Grécia (23%), onde um em cada quatro jovens está sem ocupação. Figuram nos 10 países mais problemáticos o México (22,1% dos jovens), a Espanha (20,9%), o Chile (21,1%), a França (18,7%), Israel (16,7%) e a Coreia (16,7%).

Mais alunos a prosseguir estudos

Nem tudo são más notícias. Há mais alunos a prosseguir os estudos depois do 12.º ano. Ou seja, para lá do ensino obrigatório. No ano passado, 34% dos jovens frequentavam o ensino superior. Segundo o relatório, este número revela um aumento de 13 pontos percentuais em relação ao cenário vivido dez anos antes, em 2007. Mesmo assim, a frequência universitária continua muito aquém da média da OCDE, registando uma diferença de 10 pontos percentuais.

Portugal fica ainda aquém da média no que toca ao investimento no ensino superior: em 2015 representava 1,3% do PIB, enquanto na OCDE 1,5%. Se o “Education at a Glance 2018” assinala a descida de cerca de 12% no investimento no ensino superior desde 2010, também a explica com a queda de 15% no número de alunos. No relatório lê-se que a queda fez aumentar em 4% os gastos médios por aluno, que atingiam os 11.800 dólares em 2015, quando a média da OCDE era de 15.500 dólares.
Uma grande percentagem do investimento no ensino superior é canalizada para a investigação e o desenvolvimento: 36% comparada com a média de 28% da OCDE. Na verdade, a aposta de todos os países nas ciências, tecnologia, engenharias e matemáticas, designadas por STEM, é também visível em Portugal. Há cada vez mais estudantes formados numa destas áreas de estudo: 21% comparado com 14% da média da OCDE.

Mobilidade no superior

A mobilidade dos alunos do ensino superior também está a aumentar na OCDE e em Portugal. Há mais estudantes estrangeiros a vir estudar para Portugal. E mais portugueses a ir estudar para fora. Entre 2013 e 2016 o número de estudantes internacionais aumentou em 36%. Há dois anos, contabilizavam-se 20 mil estrangeiros a frequentar instituições de ensino superior portuguesas. Representavam 6% da população académica, com destaque para os alunos brasileiros (32%) e os espanhóis (5%). Do lado de cá, cerca de 4% dos estudantes portugueses continuam estudos lá fora, a média da OCDE é de 2%. Até agora, os destinos mais procurados são o Reino Unido e a França.

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