Estudos

Estudo do Ministério da Educação confirma “ineficácia da retenção” a Matemática

por EDULOG


11 de maio de 2017 |

Elevada taxa de notas negativas a Matemática e fraca recuperação provam a “ineficácia da retenção” no 2.º ciclo. A conclusão é de um estudo do Ministério da Educação (ME) que analisou os resultados escolares no 5.º e no 6.º anos.

A análise dos resultados comprova ainda a relação entre o baixo nível socioeconómico e os fracos resultados escolares dos alunos. No 6.º ano, por exemplo, metade (48%) dos alunos beneficiários do escalão A da Ação Social, o máximo dos apoios escolares, tem negativa a Matemática, contra apenas 20% dos alunos de meios favorecidos.

Algo que, segundo o ministério, “confirma a necessidade de introduzir no sistema autonomia e flexibilidade”, bem como a necessidade de resposta rápida - “com metodologias adequadas em função de necessidades específicas” - aos primeiros sinais de dificuldades de aprendizagem.

Apresentado esta semana pela Direção Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), o estudo foi realizado com base nas notas finais nas nove disciplinas obrigatórias (Ciências Naturais, Educação Tecnológica, Inglês, Educação Física, Educação Visual, Matemática, Português, História e Geografia de Portugal e Educação Musical). Foram analisadas as classificações obtidas pelos alunos das escolas públicas de Portugal continental no ano letivo 2014-2015.

Matemática e Inglês com mais negativas

Os dados recolhidos mostram que 30% dos alunos do 6.º ano tiveram negativa a Matemática no final do ano. É a percentagem de insucesso mais elevada entre todas as disciplinas. A segunda disciplina com piores resultados é o Inglês, com 15% de negativas. “No extremo oposto, surge a Educação Física, disciplina em que 2% dos alunos não obteve a desejável classificação positiva”, lê-se no relatório.

Relativamente ao Português, os dados mostram tratar-se da disciplina em que os professores menos atribuíram a nota máxima de 5, isto tanto no 5.º como no 6.º ano. Mais sucesso, só na educação musical: um quarto dos alunos consegue a nota 5.

Os autores do estudo observaram que em matéria de notas finais, 61% dos alunos do 6.º ano transitava de ano com nota positiva a todas as disciplinas; 65% das crianças no 5.º ano faziam o mesmo. Por outro lado, 30% dos alunos passavam do 5.º para o 6.º ano em 2014-2015 com nota negativa a pelo menos uma disciplina, a percentagem sobe para 34% entre os alunos que transitaram do 6.º para o 7.º ano.

Recuperações a educação tecnológica

O ME concluiu que após uma negativa, a recuperação não é fácil, pelo menos à disciplina de Matemática. Enquanto 85% dos alunos que passou de ano com negativa a educação tecnológica conseguiu recuperar no final do ano seguinte, apenas 21% dos alunos conseguiu uma recuperação semelhante quando se tratou de Matemática.

“Conclui-se que as negativas a Matemática - ao contrário de educação tecnológica - raramente são episódios passageiros”, lê-se no relatório da DGEEC. De igual modo, apenas 34% dos alunos com negativas a Inglês, consegue obter positiva no ano seguinte.

Ao analisarem os resultados dos alunos que chumbaram, os investigadores verificaram que tanto entre os retidos no 5.º ano, como no 6.º ano, “uns esmagadores 97% tiveram aproveitamento insuficiente a Matemática”.

partilhar

artigos relacionados