Eficiência formativa e equidade no ensino superior português


CIPES


EDULOG/EFEESP/2023

O presente projeto pretende analisar de uma forma detalhada a eficiência formativa dos cursos de ensino superior seguindo o percurso escolar dos estudantes desde o seu ingresso até um máximo de seis anos (de 2017/18 a 2022/23 e de 2018/19 a 2023/24).

Coordenação Científica

Pedro Luís Silva


dez 2023

19 meses

5 investigadores


Sumário

Um primeiro objetivo do projeto consistirá na análise do novo programa do governo visando aumentar a participação de estudantes das classes mais desfavorecidas nos cursos e instituições considerados de elite, tentando encontrar explicações para o êxito limitado da iniciativa, o que será eventualmente devido a efeitos secundários da origem social. Esta parte do estudo será baseada nos dados do processo de acesso ao ensino superior para o ano académico de 2023/24.

Um segundo objetivo consistirá na avaliação da eficiência formativa do sistema de ensino superior.

Um estudo anterior (Sarrico et al., 2013) sobre eficiência formativa e empregabilidade mostra que a análise dos indicadores de procura, qualificação do corpo docente, rácio estudantes por docente, produtividade científica, internacionalização, eficiência formativa, e empregabilidade, permite constatar que há muitas vezes diferenças significativas de desempenho entre áreas científicas, subsetor e regime de funcionamento do curso. Por exemplo, quanto às licenciaturas do subsetor universitário parece ser claro que uma maior percentagem de alunos colocados em 1.ª opção favorece a eficiência formativa. Há áreas de estudo que se destacam por menor eficiência formativa, nomeadamente aquelas com maior componente quantitativa: Ciências, Matemática e Informática, e Engenharias, Indústrias Transformadoras e Construção. Já no caso dos mestrados do subsetor universitário a variável com maior impacto na eficiência formativa parece ser o rácio estudantes por docente doutorado. Quanto maior este rácio menor a eficiência formativa. Ao contrário do que se verifica nas licenciaturas, parecem ser agora as áreas das Ciências, Matemática e Informática, e Engenharias, Indústrias Transformadoras e Construção a assegurar uma melhor eficiência formativa. O regime de funcionamento pós-laboral parece diminuir significativamente a eficiência.

Relativamente aos fatores explicativos da eficiência formativa nos cursos de licenciaturas, nas escolas públicas do ensino politécnico, só a percentagem de alunos em 1.ª opção contribui significativamente e de forma positiva para a percentagem de alunos que conclui o curso no tempo devido. Curiosamente, nas escolas privadas do ensino politécnico, a um corpo docente mais qualificado corresponde menor eficiência formativa; porventura porque se tratará de um corpo docente mais exigente. A área das Engenharias destaca-se pela negativa no que toca à eficiência formativa, e as áreas das Artes e Humanidades, e da Saúde destacam-se pela positiva. No caso dos mestrados, nas escolas públicas do ensino politécnico, a docentes mais qualificados corresponde menor eficiência formativa; mais uma vez, poder-se- á pensar que se deve ao facto de este corpo docente ser mais exigente. Em termos de área, a da Agricultura destaca-se pela menor eficiência formativa.

A DGEEC tem produzido uma série de dados intitulada “Transição entre o Secundário e o Superior” em que se analisa a situação dos estudantes um ano após a sua inscrição no ensino superior. Nesta análise são considerados aspetos como o tipo de oferta de educação e formação, o ano letivo de conclusão do ensino secundário, o tipo de curso (científico-humanístico ou profissional), o distrito e o município da escola secundária de origem.

No estudo agora proposto pretende-se efetuar uma análise mais detalhada da eficiência formativa dos cursos do ensino superior Português com base no percurso escolar dos estudantes desde o seu ingresso até um máximo de seis anos (de 2017/18 a 2022/23 e de 2018/19 a 2023/24). Para além dos aspetos já considerados nos estudos anteriores da DGEEC serão igualmente considerados aspetos adicionais, nomeadamente se o estudante é ou não bolseiro, se é ou não estudante trabalhador, se ingressou por um dos regimes especiais (e.g. maiores de 23 anos), a escolaridade dos pais e o género do estudante.

Finalmente pretende-se avaliar a situação de equidade regional do acesso ao ensino superior A DGEEC fornece, igualmente, informação sobre o município de origem dos estudantes inscritos pela primeira vez no primeiro ano dos cursos/ciclos de estudos do ensino superior Português, incluindo a indicação do curso e instituição onde se inscreveram, o que permite avaliar da equidade do acesso a partir de uma base regional.


equipa de investigação


estado de desenvolvimento

Preparação das bases de dados

Análise do novo contingente de acesso para alunos carenciados (escalão A)

Avaliação da eficiência do sistema de ensino superior português

Evolução do projeto


sobre o projeto

Título do Projeto

Eficiência formativa e equidade no ensino superior português


Identificação dos proponentes

Pedro Luís Silva


CIPES

O Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior é uma unidade de investigação criada em 1998 e é um dos principais centros a nível internacional dedicados à investigação do ensino superior. Colabora regularmente com os principais parceiros neste sector, tais como o MCTES (Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior), CRUP (Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas), CCISP (Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos), A3ES (Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior). Tem desenvolvido projetos de investigação financiados por várias entidades.
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