Políticas

“O país não se pode permitir o luxo e o desperdício de ter uma Escola do insucesso”, diz Tiago Brandão Rodrigues

por EDULOG


11 de novembro de 2016 |

No balanço do primeiro ano à frente dos desígnios da Educação, Tiago Brandão Rodrigues diz que “foi um ano de devolução de normalidade aos alunos, pais, famílias, docentes, funcionários e comunidade educativa”. Uma entrevista publicada na edição de novembro do Jornal de Letras.

Depois da “correção” da política do anterior Governo, Tiago Brandão Rodrigues faz um balanço positivo dos doze meses de mandato como ministro da Educação. “Este ano foi importante para recentrar as políticas educativas tendo em consideração o sucesso dos alunos, o respeito pelos docentes, o envolvimento da comunidade educativa e a responsabilidade perante os cidadãos que exigem que o Estado promova uma Educação que devolva com excelência o investimento que fazem.”

Numa entrevista ao Jornal de Letras, conduzida por Carolina Freitas, com a colaboração de Maria Emília Brederode Santos, o ministro da Educação refere que a legislatura assumiu um “caderno de encargos” onde constam vários objetivos. Entre eles, a diminuição das “inaceitáveis” taxas de retenção, a promoção do sucesso escolar desde o pré-escolar, a revalorização da função docente e a promoção da educação ao longo da vida, através de um serviço público de qualidade.

Questionado sobre se este primeiro ano de mandado serviu para fazer uma “inflexão” de medidas tomadas pelo anterior ministro da Educação, Nuno Crato, Tiago Brandão Rodrigues responde que não vê a questão dessa forma: “Foi um ano de devolução de normalidade aos alunos, pais, famílias, docentes, funcionários e comunidade educativa em sentido lato.”

Por outro lado, foi também “um ano em que, tranquila, mas decididamente, se voltou ao paradigma que Portugal seguia há quase duas décadas em termos de políticas educativas”, acrescenta Brandão Rodrigues, sublinhando o que foi necessário para o regresso do país às boas práticas educativas europeias: “Implicou parar o experimentalismo nas ideias e o ataque aos recursos que a Educação havia sofrido durante o Governo anterior.”

Sobre o combate ao insucesso escolar, o ministro da Educação revelou as intenções por detrás do Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar, recentemente anunciado. “O país não se pode permitir o luxo e o desperdício de ter uma Escola do insucesso que, em vez de diminuir, aumenta, como mostram os últimos dados relativos aos 2º, 7º e 10º anos de escolaridade.”

A este propósito, Tiago Brandão Rodrigues lembrou que o insucesso no 2º ano de escolaridade atinge os 10% de alunos retidos. E que, nos últimos dois anos, duplicou o insucesso nos anos de transição de ciclo, ou seja, no 7º e 10º ano. “Enquanto este falhanço for, como os dados igualmente comprovam e ao contrário do que acontece em muitos países europeus, estatisticamente quase determinado em função do contexto económico, social e cultural do aluno, a Escola do Sucesso será uma miragem, minando o projeto de Portugal como país de sucesso”.

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