Análise

O que diz o relatório “Education at Glance 2017” sobre as escolhas dos jovens?

por EDULOG


3 de outubro de 2017 |

O que fazer no final do 12.º ano? Arranjar emprego? Ou continuar a estudar? Que curso escolher? A edição de 2017 do mais detalhado relatório sobre os 35 sistemas educativos dos países e economias parceiras da OCDE, lança um olhar sobre as escolhas dos jovens em matéria de educação.

Aos 15 anos espera-se que os jovens tomem decisões importantes sobre o seu futuro. Muitos não terão, com certeza, uma visão certa da profissão pretendida. O que fazer no final do ensino obrigatório? Ingressar no mercado de trabalho. Ou, pelo contrário, continuar os estudos. Quem faz do secundário um trampolim para o superior enfrenta novas decisões sobre que curso escolher. Mas seja qual for o caminho, a passagem por universidades ou politécnicos deve resultar num acréscimo considerável de conhecimento. Mas também no desenvolvimento de competências - velhas e novas - atitudes e valores indispensáveis para a vida e para o mercado de trabalho. Pensamento crítico, capacidade de resolver problemas, competências emocionais e sociais - como trabalhar em equipa - domínio da comunicação e cultura geral.

O relatório “Education at a Glance 2017” mostra que em Portugal 30% da população adulta tem apenas o 6.º ano de escolaridade. Uma percentagem elevada quando comparada com a média de 5% dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Nota positiva é que há cada vez mais diplomados. Desde 2000 que a população, entre os 25 e os 64 anos, com formação superior tem vindo a aumentar nos países da OCDE. Passou de 22% em 2000, para 27% em 2005 e para 31% em 2010, atingindo os 36% em 2016. O aumento é, todavia, mais significativo entre os 25 e os 34 anos. Os jovens foram os que mais beneficiam da expansão do ensino superior na última década, revela o relatório. Entre 2000 e 2016, o número de licenciados naquela faixa etária aumentou 22% em Portugal e 17% na OCDE.

De todos os níveis de escolaridade, o ensino secundário permanece um marco essencial na vida dos estudantes. Doze anos de estudo são, segundo os peritos da OCDE, o mínimo de escolaridade “para o sucesso”. Seja ele entendido, como o ingresso no mercado de trabalho ou o prosseguimento de estudos. Na verdade, 86% da população nos países e economias participantes neste estudo completou o ensino secundário. Com que idade? Antes dos 25 anos é quando 80% dos atuais estudantes consegue esta “primeira graduação”. Em Portugal, 60% dos alunos conclui o 12.º ano sem grandes atrasos. Entre 2005 e 2015 o número de alunos a terminar o secundário antes dos 25 anos aumentou 32 pontos percentuais.

O atraso na conclusão dos estudos ao nível do ensino secundário continua a ser fonte de preocupação para a OCDE. Sobretudo porque indicia que os alunos com dificuldades podem estar a ficar para trás ou em risco de abandono. Quando não completam o secundário nos três anos que compõem este ciclo, a maioria dos alunos da OCDE consegue-o nos dois anos seguintes. Mas 25% falha. Em Portugal, e também no Chile, um em cada quatro alunos que entram no secundário, permanecem nele após o período teórico de duração. Desses, mais de metade deixa de estudar nos dois anos seguintes. Em 2016, nos países da OCDE, 15% dos jovens entre os 18 e os 24 anos não estudavam, nem trabalhavam; em Portugal 18% dos jovens estavam na mesma situação.

Quem prossegue estudos para o ensino superior enfrenta talvez a decisão mais importante das suas vidas: escolher um curso. Atualmente, entre os países da OCDE, a larga maioria dos jovens opta pelas áreas de economia, administração e direito, seja qual for o programa que frequenta no ensino superior. Cerca de 23% dos novos ingressos dão-se nestas áreas. Por outro lado, as ciências, tecnologia, engenharia e matemática, frequentemente conhecidas por STEM (sigla em inglês), são áreas menos atrativas: 16% dos novos alunos escolhe cursos ligados à engenharia, construção e indústria, 6% cursos ligados às ciências naturais, menos de 5% opta pelas tecnologias da informação e da comunicação (TIC). Curiosamente, a área menos escolhida é também a que tem as maiores taxas de empregabilidade entre os países da OCDE, acima dos 90% em um terço deles. O que evidencia a falta de diplomados.

Portugal e Coreia são os únicos países da OCDE onde a maior percentagem de alunos escolhe cursos nas áreas da engenharia, construção e indústria. No relatório individual sobre o sistema educativo português lê-se que “o país experimenta uma mudança geracional nas escolhas das áreas de estudo ao nível do ensino superior”. Em 2015, 28% dos diplomados formavam-se em cursos STEM - quando a média da OCDE era de 23% - 19% na área da saúde e bem-estar e apenas 1% em TIC.

Falando em mercado de trabalho, em Portugal, assim como na Islândia, Coreia e Turquia, as taxas de desemprego são similares entre os detentores do 3.º ciclo, secundário, pós-secundário não superior e superior. Por cá, a taxa de desemprego nos indivíduos com estes níveis de escolaridade situa-se entre os 10% e os 15%. No entanto, na OCDE o risco de desemprego é quase duas vezes maior para quem não completa o 12.º ano quando comparado com os detentores de mais qualificações: 17% por comparação aos 9% dos que acabam o ensino secundário ou pós-secundário não superior e aos 7% dos diplomados do ensino superior.

De modo geral, nos países da OCDE, os licenciados têm melhores perspetivas de emprego. Dados de 2016 mostram que em média 84% dos adultos, entre os 25 e os 64 anos, com graduação superior está a trabalhar. Contudo, a empregabilidade varia com a área de estudo. Como? A taxa de emprego é de 81% para os diplomados em humanidades, ciências sociais, jornalismo e informação; e de 88% para os diplomados em TIC. Nas áreas STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática), consideradas particularmente importantes para a inovação e o crescimento económico dos países, a taxa de emprego é de 86% entre os diplomados naquela faixa etária.

As perspetivas de emprego aumentam ainda para quem estuda além da escolaridade obrigatória. A taxa de emprego é 20 pontos percentuais mais alta para os adultos com o ensino secundário ou pós-secundário não superior, comparativamente aos que não completam o 12.º ano. Os licenciados têm uma taxa de emprego superior em 10 pontos percentuais à dos adultos com o ensino secundário ou pós-secundário não superior. Isto significa, alerta a OCDE, “que pessoas com qualificações mais baixas correm maior risco de ficar desempregadas”.

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