Estudos

Investir nas competências para garantir a participação nos mercados globais

por EDULOG


19 de maio de 2017 |

Competências cognitivas, de gestão e comunicação, e disponibilidade para aprender, são necessárias para a participação das indústrias nas cadeias de valor mundiais, diz a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Nos últimos 20 anos, a produção tornou-se global e fragmentada ao longo das chamadas cadeias de valor mundiais. Agora, trabalhadores em diferentes países contribuem para a conceção, produção, marketing e venda do mesmo produto. O relatório “Panorama das Competências da OCDE 2017”, publicado em maio, revela que, em média, nos países desta organização um terço dos empregos no setor empresarial depende da procura de países estrangeiros. E que 30% do valor das exportações provêm atualmente do estrangeiro.

O mundo entrou numa nova fase de globalização que traz aos países e aos trabalhadores novos desafios e oportunidades. “Os impactos das cadeias de valor mundiais nas economias e nas sociedades são mais complexos do que nas fases iniciais da globalização”, alertam os peritos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

O relatório mostra que “ao investirem nas competências das suas populações, os países podem ajudar a garantir que a sua participação nos mercados globais se traduz em melhores resultados económicos e sociais”. Ou seja, quando o desenvolvimento das competências acompanha a participação em cadeias de valor mundiais, os países podem aumentar a produtividade.

Globalização requer qualificação

No período de 1995 a 2011, os países que aumentaram a participação nas cadeias de valor mundiais tiverem um crescimento anual da produtividade laboral na indústria que varia entre 0,8% (nas indústrias com menos capacidade para fragmentar a produção) e 2,2% (nas indústrias com mais capacidade, como as indústrias de fabrico de alta tecnologia).

Porém, a integração e o crescimento nos mercados globais requer trabalhadores com competências cognitivas (incluindo em áreas como a literacia, numeracia e resolução de problemas), mas também com competências em gestão e comunicação, e disponibilidade para aprender, diz a OCDE. Muitas das indústrias tecnologicamente avançadas necessitam que os trabalhadores completem longas sequências de tarefas. Por isso, o fraco desempenho em qualquer uma das fases reduz fortemente o valor do que é produzido.

Mais competências menos riscos

As competências, diz ainda a OCDE, “podem ajudar as pessoas a enfrentar os potenciais impactos negativos das cadeias de valor mundiais”. Ao desenvolver as competências das suas populações, “os países podem reduzir a exposição dos trabalhadores ao risco da deslocalização – a transferência da produção para outros países”, garante esta organização lembrando que “quando os trabalhadores têm as competências necessárias, podem evoluir no seu trabalho ou adaptar-se mais facilmente à evolução das necessidades”.

No entanto, mais de 200 milhões de adultos nos países da OCDE (cerca de um em quatro) têm competências reduzidas em literacia e numeracia e 60% destes adultos não dispõem de nenhuma destas competências. A OCDE está preocupada com estes números. Até porque, para conseguirem tirar partido dos benefícios proporcionados pelas cadeias de valor, os países vão ter de investir em educação e formação. Mas não só. Vão precisar de melhorar competências e coordenar várias políticas.

“Os países precisam utilizar melhor as competências, coordenar melhor as políticas relacionadas com as competências – desde as políticas de educação e migração, à legislação sobre proteção do emprego – e alinhar estas políticas com as políticas industriais e comerciais”, lê-se no documento.

Melhorar educação para adultos

Segundo os peritos da OCDE, “desde o ensino pré-escolar, até ao ensino para adultos, os sistemas educativos devem dotar todos estudantes de competências cognitivas e desenvolver, ao mesmo tempo, estratégias de ensino inovadoras, flexibilidade nas escolhas curriculares e uma formação em empreendedorismo devidamente estruturada”.

Por um lado, a organização alerta os países para a urgência com que devem eliminar as barreiras ao desenvolvimento continuado das competências. Como? Criando oportunidades de formação no local de trabalho, melhorando o acesso ao ensino formal para adultos e reconhecendo competências adquiridas de modo informal.

Relativamente à mobilidade laboral, a OCDE argumenta ainda que os trabalhadores devem ter a possibilidade de mudar facilmente para empregos onde as suas competências sejam bem utilizadas. Mas alerta os países para a necessidade ter em conta, “ao mesmo tempo”, a flexibilidade das empresas e a proteção ao emprego dos trabalhadores.

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