Análise

De que forma a escolaridade dos pais pode afetar a dos filhos?

por EDULOG


8 de agosto de 2018 |

A escolaridade dos pais é um forte indicador do nível educacional de um indivíduo. O relatório “Education at a Glance 2017”, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), mostra como a educação pode perpetuar desigualdades.

A educação pode diminuir as desigualdades sociais, mas pode também perpetuá-las. Isto, quando o nível de escolaridade se mantém por gerações. E os filhos acabam por ter a mesma escolaridade dos pais. “Para facilitar a mobilidade social e melhorar as condições socioeconómicas das gerações futuras, os países devem oferecer a todos os jovens uma oportunidade justa de obter uma educação de qualidade”, diz a OCDE.

Não é novidade, o número de licenciados tem vindo a aumentar entre a população mais jovem. As estatísticas mostram que há mais licenciados dos 25 aos 34 do que dos 55 aos 64 anos. Porém, a probabilidade de um indivíduo ter o Ensino Superior é maior quando pelo menos um dos pais é licenciado. Dito de outro modo: os adultos com ambos os pais sem formação superior têm duas vezes mais probabilidade de não completar este nível de ensino do que os adultos com pelo menos um dos pais com formação superior. Vejam-se os números nos países e economias da OCDE. Em média, 85% dos adultos entre os 45 e os 59 anos têm pais que não completaram o Ensino Superior. Nesta faixa etária, 25% ultrapassaram o nível de escolaridade dos pais (11% completou cursos superiores de tipo B, com mínimo de dois anos; 14% completou cursos superiores do tipo A, com mínimo de três anos, ou doutoramento).

Num grupo etário mais jovem os resultados são muito diferentes: 75% dos adultos entre os 30 e os 44 anos têm pais que não completaram o Ensino Superior, mas 32% alcançaram um nível de escolaridade mais elevado que os seus pais (12% completaram cursos tipo B e 20% tipo A ou doutoramento). Isso significa que o grupo etário mais jovem tem maior probabilidade de ter pais com Ensino Superior e, mesmo quando os pais não têm este nível de escolaridade, têm mais probabilidade de completar formação superior do que o grupo etário mais velho. Padrões semelhantes observam-se entre os adultos com pais com formação superior: uma percentagem maior da faixa etária mais jovem completou o Ensino Superior. Segundo os peritos da OCDE, estes resultados são, em parte, explicados pela expansão registada no Ensino Superior nas últimas décadas.

A percentagem de adultos com formação superior do tipo A ou doutoramento é, de modo geral, muito maior para quem tem pais com grau académico do para aqueles que não têm. No grupo dos 30 aos 44 anos, com pais com formação superior, 55% completaram cursos superiores de tipo A ou doutoramento. Ou seja: uma percentagem três vezes superior à daqueles que completaram cursos de tipo B (16%). Na mesma faixa etária, mas entre os adultos com pais sem formação superior, 20% concluíram cursos do tipo A ou doutoramentos e 12% do tipo B.

Escolaridade e emprego

Adultos com menos escolaridade correm mais risco de desemprego. Por isso, no relatório que traça os principais indicadores dos sistemas educativos de 35 países-membros, a OCDE faz questão de sublinhar que “é particularmente importante que os estudantes das famílias de baixo estatuto socioeconómico recebam os apoios necessários para permanecer o mais possível no sistema educativo”. Como?

“Existem várias opções que podem ajudar os estudantes mais carenciados”, adianta a organização. Os países podem manter custos razoáveis na oferta educativa no Ensino Superior ou criar sistemas de apoio aos estudantes. “Assegurar o acesso, bem como o sucesso no Ensino Superior a todos os estudantes é importante, mas também é importante dar resposta às desigualdades existentes nos níveis de escolaridade anteriores”, refere ainda a OCDE. “Nem todos os alunos vão frequentar o Ensino Superior, mas todos devem ter, pelo menos, as mesmas oportunidades de alcançar a escolaridade que desejam.”

partilhar

artigos relacionados