Políticas

“A educação dá-nos capacidades para fazermos qualquer negócio crescer mais”

por EDULOG


16 de junho de 2017 |

Com base num estudo em curso, Francisco Queiró, professor na área da economia, diz que o efeito do investimento em educação é visível no crescimento das empresas, mas só terá retorno no muito longo prazo. “E, portanto, há que ter alguma paciência.”

Existe muita investigação sobre o impacto da educação nos rendimentos das pessoas. Menos estudada é a capacidade dos gestores e dos empreendedores com mais formação criarem e fazerem crescer as suas empresas. Francisco Queiró, professor e investigador na Nova School of Business and Economics, foi um dos oradores da Conferência Internacional EDULOG 2017 onde sublinhou o papel importante da escolaridade dos gestores no crescimento das empresas.

“Se compararmos uma empresa que tenha um gestor com o 9.º ano com uma empresa que tenha um gestor com uma licenciatura, há uma diferença sobre a taxa de crescimento da empresa, em média, de cerca de 5% ao ano.”

A diferença pode parecer pequena, se for considerada no curto prazo, mas 5% acumulados durante o tempo tornam-se uma diferença muito grande, como explica Francisco Queiró. “Ao fim de 15 anos a gerir uma empresa com estes dois níveis de qualificação, a empresa que tem o gestor com licenciatura vai ter o dobro do tamanho da empresa que tem o gestor com o 9.º ano. Por isso, o efeito ao longo do tempo é muito significativo. Multiplicando o crescimento de uma por todas as empresas que constituem o mercado português é possível antever um cenário otimista para o efeito do investimento que o país fez na educação.

“Quando pensamos no contributo da educação para o desenvolvimento do país, muitas vezes, olhamos apenas para comparações entre ordenados de trabalhadores com diferentes níveis de educação, mas o aumento da qualificação dos gestores tem um efeito que não é visível nessas comparações porque incide sobre a produtividade das empresas e, como tal, afeta os ordenados de todos os trabalhadores que estão associados a essas empresas.”

Francisco Queiró apresentou alguns dados do seu mais recente estudo na Conferência Internacional EDULOG, dedicada ao tema do “Desenvolvimento Económico nas regiões da Europa do Sul: Políticas e Ensino Superior”, que decorreu no Porto entre 25 e 26 de maio. Entre as conclusões destaca uma certeza quanto ao caminho a seguir por jovens e adultos em matéria de formação: “Vale muito a pena estudar, não só do ponto de vista de arranjar um melhor emprego, mas mesmo para aqueles que pensam um dia vir a abrir uma empresa e ter o seu próprio negócio, o que os dados mostram é que de facto a educação dá-nos capacidades para gerirmos melhor e fazermos qualquer negócio crescer mais.”

O estudo do professor de economia revela, ainda assim, uma evidência “menos positiva” para quem espera ver resultados no curto prazo. Como o efeito sobre a taxa de crescimento da empresa é cumulativo, “só se verifica na sua plenitude ao fim de muito tempo”. Facto que “também ajuda a explicar porque o investimento que o país fez em educação não tem tido no imediato o retorno que as pessoas esperavam”, alerta o investigador. “Só poderemos beneficiar deste efeito no muito longo prazo. E, portanto, há que ter alguma paciência.”

partilhar

artigos relacionados