Análise

83,8% dos alunos europeus aprendem línguas nos seis primeiros anos de escola

por EDULOG


18 de julho de 2017 |

Ensino das línguas começa cada vez mais cedo. Na maioria dos países europeus, os alunos começam a aprender línguas entre os seis e os oito anos de idade. Ou seja, logo no 1.º ano de escola. É o que diz a edição de 2017 do relatório “Key Data on Teaching Languages at School in Europe” que analisou o ensino das línguas estrangeiras em 42 países e regiões europeias.

Que línguas estrangeiras se aprendem nas escolas por toda a Europa? O Inglês continua a ser a escolha mais popular, seguido do Francês. Em 2014, a grande maioria dos alunos europeus, 83,8%, aprendia pelo menos uma língua estrangeira no ensino primário, que engloba os seis primeiros anos de escolaridade.

Em Portugal os números eram pouco animadores. Segundo o relatório “Dados-chave sobre a Aprendizagem de Línguas nas Escolas na Europa”, publicado pelo Eurydice, em 2014 mais de metade dos alunos portugueses inscritos nos 1.º e no 2.º ciclos não aprendia qualquer idioma.

A introdução das línguas estrangeiras nos 3.º e do 4.º anos de escolaridade aconteceria com Nuno Crato, ex-ministro da Educação. O Inglês tornava-se obrigatório primeiro em 2015/2016, para os alunos de oito anos, e depois em 2016/2017 para os nove anos.

Primeira língua estrangeira

É entre os seis e os oito anos que os alunos europeus começam, por norma, a aprender a primeira língua estrangeira obrigatória. A tendência é para começar mais cedo.

Na Bélgica, entre a comunidade alemã, as crianças que estão no pré-escolar começam a aprender Francês aos três anos de idade. Em Espanha, em quatro regiões autónomas (Cantábria, Castela-La Mancha, Castela- Leão e Comunidade Valenciana), acontece o mesmo com o ensino do idioma regional.

No extremo desta escala, estão países como o Reino Unido (País de Gales e Irlanda do Norte) onde o ensino obrigatório da língua estrangeira só começa aos 11 anos, ou seja, no início do 3.º ciclo.

Na Estónia, Finlândia e Suécia, são as escolas que decidem quando introduzir a língua estrangeira obrigatória. Nos dois primeiros países, o ensino do idioma acontece aos nove, uma vez que o limite definido pelas autoridades centrais é entre os sete e os nove anos. Na Suécia, as escolas optam por começar a ensinar a língua estrangeira quando os alunos têm sete anos, mas o governo central define que podem fazê-lo entre os sete e os dez anos.

Irlanda e Escócia são os únicos países onde não é obrigatório aprender línguas estrangeiras. Os alunos irlandeses aprendem Irlandês e Inglês. Na Escócia, onde não existe o currículo obrigatório, as escolas têm o dever de oferecer o ensino de outras línguas. Mas os alunos não são obrigados a tê-las como disciplinas. Até 2021, o cenário poderá mudar com uma reforma que prevê que todos os alunos comecem a aprender uma língua estrangeira a partir dos cinco anos.

Alguns países estão, neste momento, a introduzir reformas educativas para antecipar a idade com que os alunos começam a aprendizagem obrigatória dos idiomas estrangeiros.

No Chipre, desde 2015 e até setembro de 2017 todas as crianças inscritas no pré-escolar vão aprender Inglês a partir dos três anos. Apesar disso, a frequência deste nível de escolaridade não ser obrigatória.

Em Portugal, a reforma realizada pelo anterior ministro da Educação, Nuno Crato, - e que foi totalmente implementada este ano letivo - instituía o Inglês como disciplina obrigatória nos 3.º e no 4.º ano. Na Eslovénia, uma reforma educativa tornou, também este ano, obrigatório o ensino de uma língua estrangeira aos alunos de sete anos.

Desde o ano letivo de 2016/2017 todos os alunos gregos começam a aprender Inglês aos seis anos. Na Polónia, o Inglês fará parte da educação não obrigatória do pré-escolar a partir dos três anos. Passando, no entanto, a ser uma disciplina obrigatória para os alunos de seis anos, quando até agora era lecionada aos cinco.

Os dados recolhidos pelo Eurydice confirmam que o ensino das línguas estrangeiras, com destaque para o Inglês, se faz cada vez mais cedo, entre os 5 e os 8 anos de idade. Por outro lado, o tempo dedicado à aprendizagem das línguas no currículo continua a ser “modesto”, lê-se no documento. Ou seja, o tempo dedicado ao ensino das línguas representa apenas entre 5 e 10% do tempo total de instrução.

Em Portugal, a matriz curricular do 1.º ciclo dita que os alunos dos 3.º e 4.º anos tenham um mínimo de duas horas de Inglês por semana, quando, por exemplo, Português e Matemática têm um mínimo de sete horas cada.

Segunda língua estrangeira

Os alunos aprendem dois idiomas estrangeiros ao mesmo tempo, em algum momento ao longo da sua escolaridade. A segunda língua estrangeira é obrigatória na maioria dos países europeus. E a sua aprendizagem começa entre os 11 e os 13 anos, que corresponde ao início do 3.º ciclo.

Cerca de 59,7% dos alunos do 3.º ciclo aprendia duas ou mais línguas estrangeiras em 2014. Trata-se de um aumento significativo comparado com 2005, quando a percentagem era apenas de 46,7%. E que “reflete uma mudança em termos de política educativa em muitos países, que visou o aumento do número de alunos a estudar uma segunda língua, e antecipou a aprendizagem das línguas estrangeiras”, dizem os especialistas do Eurydice.

Ao contrário do que sucedia em 2003, em 2016 o ensino da segunda língua estrangeira tornava-se obrigatório no ensino primário na Dinamarca, Grécia e Islândia e no início do secundário inferior na República Checa, França, Itália, Malta e Polónia.

Em Portugal, a segunda língua estrangeira continua a ser apenas obrigatória no 3.º ciclo. Na Bulgária e na Áustria o ensino do segundo idioma é obrigatório apenas no secundário. Já na Irlanda e na Hungria, os alunos só têm a segunda língua como disciplina se quiserem.

O relatório do Eurydice mostra ainda que os alunos do ensino profissional têm menos oportunidades para aprender a falar outras línguas. Em 2014, dos alunos europeus que frequentavam a via profissional nos 10.º, 11.º e 12.º anos, apenas 34,5% aprendiam dois idiomas estrangeiros. Quase 20 pontos percentuais menos que os colegas que frequentavam o ensino secundário na via geral.

Inglês, Francês ou?

Sem surpresas, o Inglês continua a ser a língua mais estudada em quase toda a Europa. E ao longo de toda a escolaridade. Sendo obrigatório em quase todos os sistemas educativos. Em 2014, estimava-se que na União Europeia (UE) 97,3% dos alunos estudavam Inglês no 3.º ciclo, em Portugal eram 95,4%.

De resto, o francês é a segunda língua mais falada na Europa, o Alemão é a terceira. Em 2014, e no 3.º ciclo de escolaridade, eram 33,7% os alunos que aprendiam Francês, 23,1% escolhiam o Alemão e 13% o Espanhol. Já ao nível do ensino secundário, 23% dos alunos estudavam como segunda língua Francês, 18,9% Alemão e 19% Espanhol.

Em matéria curricular, em quase todos os países europeus o ensino da primeira língua estrangeira está organizado para que no final na escolaridade o aluno possa ser capaz de ouvir, falar e escrever como um “utilizador independente”.

Quem ensina?

Que formação têm os professores de línguas? Segundo os dados recolhidos pelo Eurydice, nos 1.º e 2.º ciclos os professores de línguas têm sobretudo uma formação generalista. Pelo menos, em metade dos países estudados era assim. Na outra metade, as aulas eram lecionadas por uma combinação de professores generalistas e especializados.

Só chegando ao 3.º ciclo e ao secundário é que a formação dos professores se torna especializada no idioma que ensinam. Apenas em três países, Islândia, Noruega e Sérvia, os alunos do 3.º ciclo continuam a ter aulas de línguas dadas por professores generalistas.

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